terça-feira, 21 de junho de 2016

Não reclame das minhas fotos, please.

Hoje vi, pela milésima vez, um post no FB que dizia assim: "Qual é o nome da sua saudade?". Sei que se eu parar pra pensar nisso por alguns minutos, vou listar algumas coisas da infância, adolescência, faculdade... Mas, a resposta que sempre aparece logo de cara é o meu avô.

Eu cresci morando numa casinha no fundo da casa dele e sei que um milhão de pessoas podem não gostar de mim, mas o meu avô, ele me amava, certeza. É bonito parar pra pensar no amor de avô, né? É um negócio tão puro, tão profundo, tão simples...

Seu Benedicto (sim, tinha um 'c' antes do 'to'), um senhorzinho pacato, típico vozinho de filme, pessoa do bem, humilde, simples, querido e tantos outros adjetivos carinhosos, que é só o que eu consigo lembrar dele.

Quando eu era pequena, meu avô já era aposentado por invalidez, ele não ouvia muito bem, pelo que sei, o barulho das máquinas da fábrica que ele trabalhou por anos fez isso com ele. Então, ele vivia em casa com as  suas havaianas brancas de tiras azuis, uma camiseta polo e algum jeans velhinho. Ele também gostava de sentar na poltrona perto da porta da casa pra assistir TV. No dia de receber a aposentadoria ele usava alguma roupa mais elegante (mas não muito, porque roupa boa ele guardava pra quando fosse enterrado... true story...rs) e saia de sapato e camisa. Ele ia até o supermercado com a minha avó fazer compras, depois do pagamento, e trazia aquelas pipocas de saco vermelho pra mim...  (tipo a Gasparzinho, sabe?). Ele também me esperava chegar da escola todos os dias escorado no poste em frente a casa. E adorava me pegar no colo.

O nome da minha saudade é meu avô, e várias e várias vezes me permito chorar sozinha no meu canto a saudade que tenho dele, a saudade de ser a menininha do vovô. As vezes quero assistir vídeos com ele, só pra lembrar da voz e da risada do seu Benedicto... Às vezes quero parar tudo e ficar olhando fotos, mas as que tenho são tão poucas, e NUNCA são suficientes pra matar a saudade que eu tenho... 

Tem gente por aí reclamando das redes sociais, das declarações de amor na internet, do excesso de fotos... Tem gente que diz "pare de tirar foto e vá viver sua vida!", Ou "a vida é muito mais bonita do que nas fotos"...  E eu, de verdade, entendo que essas pessoas tem um ponto válido, sei que a nossa vida não se resume as redes sociais, mas a questão pra mim é que meu avô faleceu faz uns 10 anos... e, se você passou sua infância/ adolescência nos anos 80/ 90, você sabe que as fotos não eram super acessíveis e que as vezes o filme queimava, e tudo mais acontecia.

Então pessoal, o que eu realmente quero dizer é: não deixe de construir lembranças que serão só suas, tipo eu brincando de fazer telefones com copos plásticos e barbante com o meu vô, mas também não deixe de tirar fotos, fazer Snaps, gravar vídeos, deixar posts fofos pra quem você ama, mandar um oizinho vez ou outra no Whats...

No momento que a saudade aperta, machuca e dói essas recordações vão fazer muito sentido.

Deixo com vocês algumas das pouquíssimas fotos que tenho do meu vozinho, porque hoje, eu estou muito, mas muito afim de espalhar amor por aí.

(Niver dele, eu sou a garotinha atrás do Guaraná)

(Foto favorita)



Um abraço pra vocês!

P.  






22 comentários:

  1. até mais ou menos 30 anos eu não ligava pra foto. daí eu percebi exatamente isso: as fotos são um suporte de recordações que me fazem bem. que me confortam. Sabe, eu tenho duas fotos da minha gravidez, apenas. Uma gestação alegre, satisfeita, cuidada e da qual quase não tenho registro além da memória cada vez mais falha (afinal já se vão vinte anos). hoje sou #aloka da fotografia sem vergonha nenhuma.

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    1. Luciana, minha mãe tem uma única foto de quando estava grávida... até uns 10 anos eu tinha certeza que era adotada...rs Obrigada por comentar aqui!

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  2. e que delícia a relação com seu avô <3

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  3. Escrevi um texto sobre meu avô outro dia, que assim como o seu tinha gosto de saudade....

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  4. Que texto lindo. Me fez lembrar tanta coisa boa... Vai fazer dez anos que o meu avô faleceu e a nossa relação era única, eu fui a primeira neta, então era um grude... Eu chegava lá e já tinham vários doces pra mim, além de ele fazer mágicas maravilhosas: eu sempre saia com várias moedas. Era avô de filme assim como o seu, lembro que a minha avó tinha, ou tem, não sei, uma coleção de cds do Cid Moreira "cantando" a bíblia, ele colocava os cds e dançava, minha avó, católica que só, ficava super brava hahahah
    A parte da roupa chique ele guardar pra quando morrer me lembrou a minha avó, que faleceu ano retrasado. Ela tinha um vestido que ela dizia que era pra essa ocasião.
    Concordo com você, eu amo ver as fotos da minha família, amo mesmo, e faço questão de tirar muitas, que eu revelo e guardo. As minhas fotos favoritas dos meus avós são aquelas que ficam em um "monóculo", sabe?
    Enfim, obrigada por postar esse texto ♥

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    1. Essa mania de guardar roupa... acho que nunca vou entender...rs Obrigada por comentar Bárbara! Um beijo grande! :)

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  5. Emocionante seu post. Tire sim muitas fotos. Eu amo as minhas. Doce lembrança. Amei.

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  6. Aiii Priiii,chorei...e não pude deixar de lembrar do meu vôzinho tbm 😢 Mas sei que aproveitei bastante o quanto pude...Realmente lembranças tem que ser vividas...guardadas...relembradas... Mto lindo o post!aliás,todo o blog. Parabéns!!😘

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    1. Gui, obrigada! Com certeza! E quer saber o que? Precisamos criar mais lembranças nossas, não é mesmo? hahaha :) Bjo grande!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Sempre a menininha do vó .....
    Saudades do vó , do meu pai , de tantos momentos maravilhos , como sou abençoada por fazer parte desta família .bjs

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  9. Pri! Adorei essa publicação! Meu avô ainda é vivo, mas minha avó se foi quando eu tinha 10 anos e por enquanto é minha maior saudade! Viver pertinho dos avós nos marca profundamente mesmo, pra mim, avós nos ensinam a amar profundamente!
    beijão

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  10. Minha sis linda. Eu não curtia muito ficar tirando fotos, até ter filhos. E agradeço os videos que a Márcia fazia e postava do Samuel, porque agora tenho o que recordar. Acredito que o povo generaliza e acha que todos vivem no mundo virtual, mas a vida por vezes é tão dura que é bom demais ter doces e agradáveis lembranças em fotos! Abraço carinhoso

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Parabéns Pri belas palavras,se nos anos 80/90 não tinha facilidade para tirar tantas fotos, imagine 60/70. Então fotos com meus avós,acho que nem tenho. Rss. Bjs linda e parabéns pelo Blogue. Ah saudades de você.

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  13. Exclui o comentário porque estava como desconhecido, agora sim vc me conhece. Kkkk. Bjs

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    1. Oi Clayton! Que legal que você comentou e fez uma visita aqui! Adorei. Continua acompanhando os próximos posts e tire muitas fotos...rs Bjs

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Obrigada por comentar!